sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Onde está a esfera de Tássia Reis?


Tássia: sem graça
Ainda não entendi bem o real significado musical e a proposta de trabalho da cantora Tássia Reis, que está sendo chamada aos quatro ventos de a nova queridinha da música popular brasileira. É preciso, antes de mais nada, entender o seu real teor, a sua real batida e a sua proposta para que seja batido o martelo sobre aquilo que podemos ser considerado como a nova queridinha da MPB. Tássia é uma rapper e que nasceu cantando rapper e que queria se imortalizar como rapper, mas no entanto o mundo a guiou para o mundo das calmarias e atemporalidades que a música popular a resgatou com toda a ternura e objetividade possível. Mas Tássia Reis, nome forte, maquiagem poderosa, postura de guerreira, olhar decisivo e canto morno, nasceu dentro do rapper. A mudança de um estilo à outro é normal dentro de um segmento musical, ainda mais no caso de Tássia, cantora conhecida dentro de seu mundo de rimas sincronizadas, mas totalmente desconhecida para o público que cultiva e respira MPB. Mas sua entrada foi bem aceita por nove entre dez pessoas e esse feito é sensacional, mas ainda é preciso de um pouco de parcimônia para poder dizer se Tássia de fato é uma nova cantora de MPB ou apenas fantoche do final de ano. Sendo um grito pulsante na internet e liderando a causa negra como meta, Tássia Reis é uma cantora que luta contra as minorias e a favor próprio pela sobrevivência. Suas músicas retratam esses momentos, principalmente em seu último disco, Outra Esfera (2016 / 24,99), que tem uma pegada levemente africana e com muita sinceridade poética. Isso apenas não resultaria em um bom ou ótimo disco, mas Tássia não está totalmente perto da perfeição como cismam algumas pessoas: ganhando corpo e forma em uma esfera que praticamente nunca pisara, a cantora se mostra a cópia fiel de outra cantora, a popular e ambientalista Tulipa Ruiz. Com vozes idênticas, Tássia acaba sendo uma complementação da obra inacabada de Tulipa, que não preserva agudos em suas músicas e canta o mais alto que puder. Tássia não chega a berra no microfone, mas acredito que sua música ainda não seja atribuída à sua performance para ser considerada a revelação de 2016. Falta muita coisa para que isso de fato aconteça, mas já seria de bom tamanho pensar em uma forma de se mostrar mais brasileira e menos importada, tanto nos trejeitos enquanto canta, como nas vestes, na maquiagem e na formatação de seus discos. Por hora, Tássia Reis é apenas Tássia. Sem reis.

 

Outra Esfera (2016) / Tássia Reis
Nota 6
Por Marcelo Teixeira

Nenhum comentário: